Campanha da CGU contra pequenas corrupções ganha apoio no Amazonas | Paulo Afonso Tem
Campanha da CGU contra pequenas corrupcoes ganha apoio no Amazonas

Campanha da CGU contra pequenas corrupções ganha apoio no Amazonas

Manaus – Parlamentares, juristas, sociólogos e eleitores acreditam que a campanha de conscientização da Controladoria Geral da União (CGU) contra ‘pequenas corrupções’ pode gerar bons resultados se ampliada e intensificada.

A campanha começou nas redes sociais, em junho do ano passado, mas foi intensificada mês passado. Com o tema ‘Pequenas Corrupções – Diga não’, a ação tem o objetivo  de conscientizar os cidadãos para a necessidade de combater atitudes antiéticas ou até mesmo ilegais que costumam ser culturalmente aceitas e ter a gravidade ignorada ou minimizada.

A CGU aponta algumas das pequenas corrupções. São elas:  falsificar carteirinha de estudante, roubar TV a cabo, adquirir produtos piratas, furar fila, subornar o guarda de trânsito para evitar multas,

colar na prova, bater ponto pelo colega de trabalho e apresentar atestado médico falso.

Para o cientista político Ademir Ramos, a campanha chama atenção para a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que absolveu, semana passada, do crime de quadrilha, os condenados do mensalão.

“Enquanto a CGU está preocupada em combater pequenas corrupções, o STF absolveu os mensaleiros do crime de quadrilha. Não há uma sincronia entre os poderes. A CGU tenta criar uma cultura democrática e justa e o STF vai na contramão. Então, é hora de intensificar a campanha. Quem rouba um alfinete, rouba um elefante”, enfatizou Ademir.

A advogada especialista em direito eleitoral  Maria Benigno destacou a importância da campanha. Benigno afirmou que “a conscientização é importante porque, muitas vezes, as pessoas cobram muito os políticos quando elas mesmo vendem votos ao aceitar uma nomeação por um parente ou amigo. Isso também é corrupção”.

Afirmação de cidadania

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), desembargador Flávio Pascarelli, disse que a campanha da CGU é uma afirmação da cidadania.

“Corrupção não é só o ato de um servidor público. Toda campanha apresenta resultados, sejam maiores ou menores. Essa ação é importante, principalmente para os jovens, para que percebam que tirar vantagem não é um ato de cidadania”, destacou Pascarelli.

O vereador Wilker Barreto (PHS)  disse que há um conceito de que apenas a classe política é corrupta. “A cultura da corrupção está enraizada em nosso País. É preciso as pessoas entenderem que o mesmo que pratica algo errado hoje pode se tornar um parlamentar amanhã. Todos são cidadãos”, frisou.

Para o deputado estadual Luiz Castro (PPS), a temática educativa é importante para se criar uma cultura diferente da que está enraizada no brasileiro. “Essa campanha vem de encontro ao  que defendo. As escolas deveriam adotar como prática pedagógica esse combate a pequenas coisas. O tal ‘jeitinho brasileiro’ é bom para as artes, músicas e criatividade, mas, quando usado para malandragem, se torna um problema público”, disse.

População apoia ideia

A funcionária pública, Luzinete Campos, 55, revelou ao Portal D24AM que  já praticou algumas das ‘pequenas corrupções’ por necessidade. No entanto, disse que apoia a campanha.

“Às vezes, até eu já fiz essas coisas. Minha energia foi cortada e, como não tinha condições de imediato para resolver o problema da forma certa, fiz um gato. Foi o jeito, mas a campanha é importante, ajuda na conscientização”, disse.

Érica Santos, 21, recepcionista também disse já ter agido de forma errada em algumas situações, mas não quis revelar as pequenas práticas. “Essa campanha ajuda muito as pessoas refletirem sobre suas atitudes. Eu mesma já fiz pequenas corrupções que afetaram somente a mim como pessoa, mas é importante essas ações para nos conscientizar”, declarou Érica.

Erivaldo Soares, 35, armador, disse que a campanha faz a população parar de olhar somente os erros dos outros.

Assim como Erivaldo, a recepcionista Francilene Lima, 24, vê a campanha com ‘bons olhos’. Para ela, atitudes, como furar fila e usar a carteirinha estudantil de outra pessoa, são “muito feio e antiético”.

Fonte d24am


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