Em sua 16ª fase, operação Lava Jato investiga irregularidades de Angra 3 | Paulo Afonso Tem
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Em sua 16ª fase, operação Lava Jato investiga irregularidades de Angra 3

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (28) o presidente licenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, e o executivo da construtora Andrade Gutierrez Flávio Barra. Essa é a 16ª fase da operação Lava Jato. A PF e o Ministério Público investigam se houve pagamento de propina em contratos de construtoras com a Eletronuclear, uma subsidiária da Eletrobrás.

É a primeira vez que as prisões da Operação Lava Jato atingem o setor elétrico. O presidente licenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, e o executivo da Andrade Gutierrez Flávio David Barra foram presos no Rio.

Os dois são investigados por lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção nas obras da usina nuclear de Angra 3. Por isso, a operação desta terça-feira (28) foi batizada de Radioatividade.

A Polícia Federal cumpriu 30 mandados judiciais em Brasília, Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Barueri. Agentes da Polícia Federal passaram a manhã em quatro andares da sede da Eletronuclear, no Rio de Janeiro. Foram inclusive no oitavo, onde fica a gerência de Angra 3.

As prisões se basearam em depoimentos de delatores e em dados bancários de empresas envolvidas no suposto esquema. Othon Luiz da Silva e Flávio Barra foram citados na delação do ex-presidente da empreiteira Camargo Corrêa Dalton Avancini. Ele afirmou que havia um acerto futuro de pagamento de propina a funcionários da Eletronuclear, referente as obras de Angra 3. Avancini citou Othon da Silva e contou detalhes de uma reunião feita em agosto de 2014, meses depois do início da Operação Lava Jato. Ele falou que Flávio Barra participou desta reunião.

“Ele foi indicado, apontado por Dalton Avancini como representante da Andrade Gutierrez que discutia valores a respeito da propina de Angra 3”, diz o procurador Athayde Ribeiro Costa.

A Polícia Federal também cumpriu cinco mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para prestar depoimento, contra Renato Ribeiro Abreu, da Ebe Participações; Fábio Andreani Gandolfo, da Odebrecht; Petrônio Braz Júnior, da Queiroz Galvão; Ricardo Ouriques Marques, da Techint Engenharia; Clóvis Renato Peixoto, da Andrade Gutierrez.

A maioria deles também participou da reunião onde teria havido o acerto da propina. Segundo Avancini, nessa reunião também foi comentado que havia compromissos do pagamento de propinas ao PMDB no valor de 1% e a dirigentes da Eletronuclear.

O Ministério Público disse nesta terça-feira (28) que o PMDB não está sendo investigado nessa fase da operação. “Com relação a partidos políticos e outras pessoas, eu insisto em dizer que o alvo da investigação é o senhor Othon Luiz, presidente licenciado da Eletronuclear. Somente isso”, diz o procurador.

Além das informações de que houve acerto na licitação da obra, as investigações encontraram também pagamentos considerados suspeitos, usando empresas que podem ser de fachada. O esquema funcionava de um jeito parecido com o que já foi revelado na Petrobras.

No despacho que determinou as prisões, o juiz Sérgio Moro destaca que Othon Luiz da Silva era ao mesmo tempo presidente da Eletronuclear e proprietário da Aratec Consultoria e Representações, e que há um conflito de interesses que coloca em suspeita pagamentos feitos à consultoria dele.

Segundo o Ministério Público, quatro empresas, algumas de fachada, eram usadas no esquema. Os procuradores dizem que elas recebiam dinheiro das empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix, que faziam obras em Angra 3 e repassavam para a consultoria de Othon da Silva. Os investigadores dizem que entre 2009 e 2014 esses repasses somaram o total de R$ 4,509 milhões.

Mas os procuradores também afirmam que, desde que Othon assumiu a presidência da Eletronuclear, em 2005, empreiteiras também fizeram depósitos diretos, sem aparente causa legítima, para a Aratec no total de R$ 1,193 milhão. Entre as empreiteiras, estão UTC, Camargo Corrêa, Techint e OAS, todas investigadas na Lava Jato.

Segundo os investigadores, os depósitos continuaram até meados deste ano. “A gente dá um passo e a gente mostra que a corrupção não está restrita à Petrobras, mas há indicativos de que a corrupção se espalhou para outros órgãos da administração e outras entidades da administração pública”, afirma o procurador.

O PMDB nacional negou todas as acusações feitas por Dalton Avancini.

A Andrade Gutierrez afirmou que seus advogados estão analisando os termos da investigação e que a empresa sempre esteve à disposição da justiça.

A EBE e a Techint declararam que estão colaborando com as investigações.

A Queiroz Galvão também disse que está cooperando e negou qualquer irregularidade.

A Odebrecht declarou que sempre esteve à disposição das autoridades e que considera injustificáveis as buscas em sua sede no Rio e a condução de um de seus executivos para depor. A empresa reafirmou que não ofereceu nem pagou propina em contratos.

A Eletrobrás declarou que existe uma investigação interna sobre a usina nuclear Angra 3, desenvolvida pela Eletronuclear, e que está buscando as informações sobre a operação desta terça (28).

O advogado de Flávio Barra disse que considera a prisão desnecessária e que está estudando quais medidas vai tomar.

A UTC não quis se manifestar.

A Engevix disse que está prestando os esclarecimentos necessários à Justiça.

A Camargo Corrêa afirmou que está colaborando com as investigações.

A equipe do Jornal Nacional entrou em contato com representantes da OAS, mas a empresa ainda não respondeu.

A equipe do Jornal Nacional não conseguiu contato com o advogado de Othon Luiz Pinheiro da Silva.

Fonte: Jornal nacional


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