Você controla o que seu filho assiste? Psicóloga fala dessa necessidade e de como programas impróprios podem afetar as crianças
Você controla o que seu filho assista Psicóloga fala dessa necessidade e de como programas impróprios podem afetar as crianças

Você controla o que seu filho assiste? Psicóloga fala dessa necessidade e de como programas impróprios podem afetar as crianças

Recentemente houve uma polêmica que deixou mamães e papais de cabelo em pé. O filme “Festa da Salsicha“, que é feito em animação e lembra muito a linguagem visual das produções infantis, foi colocado pelo canal HBO às 3 da tarde no ar e pegou todos de surpresa com seu conteúdo adulto e impróprio, recheado de palavrões e conotações sexuais. Desde setembro de 2016, o Supremo Tribunal Federal já havia dado liberdade aos canais de TV pagos quanto aos horários de exibição, obrigando-os a informar apenas a classificação indicativa, ou seja, a partir de que idade aquele conteúdo era indicado. Por isso é ainda mais necessário que os pais estejam vigilantes! Sendo assim, descubra como estar por dentro dessa programação, entenda como ela pode influenciar seu pequeno e o principal, saiba como conversar com ele caso veja algo que não é adequado!

Mamãe vigilante

A primeira grande questão é: como ficar atenta à programação que meu filho assiste? De acordo com a psicóloga Adriana Severine, especialista em psicologia cognitiva comportamental para crianças e adolescentes, o melhor jeito, mesmo quando pequenininhos, é conversando com eles. “De modo receptivo, pergunte o que seu filho está vendo, peça para te mostrar os desenhos que mais gosta e fique meia horinha assistindo para inteirar-se do conteúdo”.

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Peça ao pequeno, com tranquilidade, que te mostre o que ele mais gosta de assistir e tire esse tempinho para checar o conteúdo. Foto: miszaqq/iStock

Se você assistir algo que acha impróprio, segure a onda e evite o drama: “Nada de bronca, nem de se mostrar chocada ou já sair dizendo que não pode. Vá com calma, e de forma tranquila, senão ele se fecha! Se seu filho falou um palavrão, por exemplo, pergunte, tranquilamente, aonde aprendeu aquilo. Se você for reativa, a criança se retrai, e quanto mais velha, mais difícil de arrancar qualquer informação”, afirma a profissional.

No flagra!

Se você chegar em casa e ver que a criança está assistindo algo com conteúdo impróprio, gritar ou desligar imediatamente pode deixá-la, além de aborrecida, mais instigada ainda! “Chame-a para conversar. Pergunte o que estava vendo e porque estava gostando daquilo. Uma vez que ela fale, esse é o ponto de partida para a conversa em que se vai explicar porque aquele conteúdo não é interessante, mostrando, de verdade, porque aquilo é errado. Não invente desculpas, seja clara mesmo. A criança sempre precisa do porquê, então não a deixe sem ele”.

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Desenho adulto “Festa da Salsicha” foi exibido no horário vespertino e causou revolta nos pais por conta de seu conteúdo. Foto: Filme “Festa da Salsicha”/ Divulgação

Animações impróprias

Hoje, a televisão está recheada de animações que, definitivamente, não são próprios para crianças. “Mas esse formato seduz, atrai, encanta o pequeno, e é aí que mora o perigo. O impacto é preocupante”, diz Adriana que destaca: “para os menores de sete anos, o problema está no linguajar utilizado, já que repetem o que ouvem. Elas não tem tanta noção entre certo e errado. Então, por essa falta de discernimento, e como está na televisão, acham que é correto e começam a repetir em qualquer situação social. De repente, ela solta um palavrão, sem ter noção do significado! E por ser uma animação, tem um ar lúdico, o que acaba encantando mais ainda”.

Os maiores, acima dos sete anos, já podem perceber a conotação sexual. “Isso pode começar a despertar o interesse sexual mais cedo. É uma péssima influência para os filhos que estão nessa fase da pré-adolescência (10, 11 anos), pois eles, em sua maioria nos dias atuais, já sabem o que é sexo, mesmo provavelmente nunca tendo visto. É fácil perceber isso e desenvolver cedo essa curiosidade“, alerta a expert.

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Observar, no dia a dia, se a criança está tendo algum comportamento diferente do habitual, é a melhor forma de identificar se há algo errado. Foto: Wavebreakmedia-Ltd/iStock

Dicas para controlar o que seu filho vê (mesmo de longe)

Segundo a psicóloga, é importante entender que qualquer coisa errada vista no desenho vai ser replicada ou expressada na vida real, no dia a dia. “Por isso, os pais sempre têm que dar uma olhadinha no celular deles, prestar atenção no que estão falando, na conversa com os amigos, nos assuntos que os interessam (e seus possíveis desdobramentos), ver se mudaram de comportamento (se estão mais agressivas, as brincadeiras com os amiguinhos), etc. Observe se estão interessados demais no órgão sexual, e no caso das meninas, principalmente, explique o que é menstruação e as mudanças que virão”.

Ela frisa que é necessário restringir o acesso livre enquanto for possível. “Com 15 anos eles já estão muito maduros e já exigem individualidade, liberdade, querem ter os segredos deles. Então, usufrua das restrições que os canais de TV a cabo disponibilizam e cheque o histórico do navegador da internet”, recomenda a profissional.

É fundamental estar preparada, porque quando menos esperar pode ser pega de surpresa. Desse modo, se diante de uma situação dessas, você, pai ou mãe, não sabe como agir ou ter esse tipo de conversa, “procure uma psicóloga que possa lhe orientar para ter essa conversa com a criança, porque ela precisa ter confiança em você para se abrir e a questão ser resolvida”, diz a especialista.

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O celular é uma das principais portas para o conteúdo impróprio, principalmente se tiver internet. Foto: gpointstudio/iStock

Melhor não!

Alguns limites são necessários e eficientes no controle e proteção do que a criança assiste. “Não dê um celular com acesso a internet para uma criança de até 12 anos”, recomenda a psicóloga, que esclarece: “por mais que brigue e fique emburrada, não ceda. Com o acesso liberado, por mais que você proíba a TV, seu filho ainda pode ter acesso pelo smartphone. Mas caso você permita, fique de olho nos aplicativos e sites navegados“.

Ela ainda orienta que você “também não permita senhas. Se for olhar o celular dele (o que é sempre bom), avise que vai fazê-lo para que não se sinta traído, e deixe claro que não adianta apagar porque a mamãe sabe como ver de novo. Se pegar algo pesado, como fotos ou conversas, lembre-se: nada de histeria! Bata um papo com ele tentando entender a razão daquele assunto, e se possível, explique de um jeito leve, porque pode ter sido apenas curiosidade. Mostre o que é errado, o que é feio, o que não é legal, sempre com muita calma, pois a criança se abre mais fácil para você e absorve essa orientação muito melhor“.

Fonte DaquiDali


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