Suposto operador do PMDB envolve Temer e aliados em acusações
Suposto operador do PMDB envolve Temer e aliados em acusações

Suposto operador do PMDB envolve Temer e aliados em acusações

JN teve acesso ao conteúdo da delação premiada de Lúcio Funaro.
Doleiro disse que fez pacto de silêncio com o empresário Joesley Batista.

O Jornal Nacional teve acesso ao conteúdo da delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, que é considerado, nas investigações da Lava Jato, o operador financeiro do PMDB. As acusações de Funaro envolvem o presidente Michel Temer e vários aliados.

O doleiro Lúcio Funaro contou na delação que em 2014 foi encarregado de buscar uma caixa contendo R$ 1 milhão no escritório de José Yunes, ex-assessor e amigo de Michel Temer, em São Paulo. Funaro disse que recebeu instruções do ex-ministro Geddel Vieira Lima para que levasse o dinheiro para Salvador; que Geddel disse que o dinheiro era doação via caixa 2, da Odebrecht, acertada pelo atual ministro da Casa Civil Eliseu Padilha e Temer. E que os valores eram de Temer, o qual estava enviando uma parte do arrecadado para Geddel.

Os alvos do delator são: o presidente Michel Temer e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha; os ministros de Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco, e os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves; o vice-governador de Minas Gerais e ex-ministro da Agricultura, Antônio Andrade, os ex-assessores Rodrigo Rocha Loures, Tadeu Filippelli, Sandro Mabel e José Yunes, e o ex-vice-presidente da Caixa Econômica Fábio Cleto.

Funaro disse que Temer tinha diferentes operadores de propina para cada área de atuação para minimizar o risco de exposição de suas condutas ilícitas. Entre os operadores estavam Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e José Yunes. Na delação premiada, Funaro detalhou a participação de cada um no esquema e como acontecia a corrupção.

Funaro relatou um episódio em que Moreira Franco conseguiu aprovar um financiamento para o antigo Grupo Bertin, da área de infraestrutura, em troca de propina; que foram liberados cerca de R$ 300 milhões do Fundo de Investimento do FGTS e que a Bertin pagou uma comissão de cerca de 4%.

Em uma outra negociação, Funaro disse que procurou Eduardo Cunha para que ele conversasse com Moreira para atender pedidos da Cibe, outra empresa da antiga Bertin. Funaro disse que Cunha respondeu: “Ó, dando dinheiro, o Moreira faz qualquer coisa”.

O doleiro confirmou que fez um pacto de silêncio com o empresário Joesley Batista. O compromisso era não fazer delação premiada em troca de dinheiro. Funaro disse que sabia que Joesley monitorava o ânimo de Funaro em cumprir o pacto através da esposa de Funaro que é amiga da esposa de Joesley.

O relatório da Polícia Federal sobre o quadrilhão do PMDB cita que Funaro, dias depois de ser alvo de uma operação de busca da Polícia Federal, em dezembro de 2015, foi chamado a casa de Joesley e o empresário ofereceu a ele um contrato de R$ 100 milhões. Funaro aceitou e disse que só resolveu procurar o Ministério Público e se tornar um delator quando teve certeza de que Joesley tinha quebrado esse pacto de silêncio entre eles.

Em outro trecho da delação, Funaro contou que quando pensava em fazer delação em 2016, enviou, segundo ele, por engano ao seu advogado, na época Antonio Claudio Mariz, um e-mail discutindo honorários com um escritório que atuou em delações. Funaro disse que logo recebeu uma mensagem de Geddel Vieira Lima perguntando se ele estava fazendo delação e que essa informação já havia chegado ao Planalto. O delator disse que percebeu que a informação foi passada a Temer por Mariz, que hoje é advogado do presidente. Funaro acabou rompendo com Mariz.

Funaro falou sobre atos para beneficiar a JBS no Ministério da Agricultura; que recebeu R$ 7 milhões de propina; R$ 3 milhões ficaram com o então ministro da Agricultura, Antônio Andrade, R$ 1,5 milhão com Eduardo Cunha e que Temer e Henrique Alves receberam parte dessa propina; que essa distribuição mantinha a força política de Cunha.

O que dizem os citados
O Palácio do Planalto declarou que o delator não merece nenhuma credibilidade e inventa narrativas para escapar de condenações.

A defesa de José Yunes afirma que ele é advogado há mais de 50 anos, que jamais praticou qualquer ato ilícito e que sempre agiu dentro da legalidade.

A defesa de Geddel Vieira Lima reafirmou que só vai prestar os esclarecimentos necessários em juízo.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que não conhece Lúcio Funaro e que nunca tratou de nenhum assunto aos quais ele se refere.

A defesa do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha negou todas as acusações.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, declarou que jamais participou de qualquer grupo para a prática de atos ilícitos.

A defesa de Henrique Eduardo Alves afirmou que há mais de 40 anos ele faz parte do PMDB e não de uma organização criminosa e que a inocência dele vai ser provada ao longo do processo.

O vice-governador de Minas, Antônio Andrade, declarou que os fatos são absolutamente falsos e que isso será efetivamente demonstrado no âmbito do inquérito.

Sandro Mabel afirmou que não participou de nenhum ato ilícito, e que as investigações vão comprovar a inocência dele.

A defesa de Tadeu Filippelli disse que só vai se pronunciar depois de ter acesso ao teor da delação.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que, desde que assumiu o cargo, em maio de 2016, o ministério não sofreu qualquer influência política nas decisões e que o que ocorreu antes da gestão dele deve ser investigado.

A Caixa, que administra o Fundo de Investimento do FGTS, declarou que está colaborando com os trabalhos e que suas operações obedecem a rígidos padrões de governança às normas do Banco Central e à legislação específica.

O Jornal Nacional não conseguiu contato com a defesa de Rodrigo Rocha Loures, Fábio Cleto, Joesley Batista, o advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira e o Grupo Bertin.

Fonte: Jornal Nacional


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