Inflação de março é a menor para o mês desde implantação do Plano Real | Paulo Afonso Tem

Inflação de março é a menor para o mês desde implantação do Plano Real

A inflação de março foi a mais baixa para o mês desde que o Brasil adotou o real como moeda, em 1994. Mas os chamados preços monitorados, aqueles que têm reajuste em contrato ou definido pelo governo, subiram bem mais nos últimos meses. Queda nos preços das passagens aéreas. Foi isso que mais puxou para baixo a inflação de março. Na média, os alimentos praticamente não subiram. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 0,09% e a inflação acumulada no ano, entre janeiro e março, está abaixo de 1%. Mas para a grande parte da população, a inflação mais baixa não trouxe grandes novidades. Esses índices, mensal e acumulado no ano, são os mais baixos registrados para um mês de março desde o início do Plano Real, há 24 anos. Ainda assim, alguns itens que afetam mais o bolso do consumidor, especialmente aquele de baixa renda, continuaram em alta. Passagens de ônibus, por exemplo. “Olha, no momento a passagem pesa no orçamento sim porque, como a gente está em crise, eu estou procurando emprego e até agora nada”, diz a estudante Isabella Maciel. As tarifas de ônibus fazem parte dos chamados preços monitorados, que não dependem de oferta e procura porque são estabelecidos por contrato, ou por órgãos públicos. Enquanto a inflação geral acumula alta de 2,68% em 12 meses, abaixo do centro da meta, os preços monitorados já subiram 7% nesse período. Só nos três primeiros meses do ano, as passagens de ônibus urbanos subiram em média 4% por causa de reajustes recentes em Belém, no Rio de Janeiro, em Fortaleza e Porto Alegre, aumento que obrigou a Viviane a cortar custos. “Você deixa de sair, deixa de fazer várias coisas, senão você não consegue trabalhar”. “Nem todas as cidades já reajustaram as passagens de ônibus urbano. Então a tarifa de ônibus urbano pode aparecer de novo no IPCA, influenciando os resultados do IPCA por força de novos reajustes”, explicou André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Dentro dos preços controlados, tem ainda o botijão de gás, 15% mais caro em um ano. No Rio, também teve o reajuste da conta de luz. “Gás aumentou. Pagava R$ 56, agora eu pago R$ 70. Energia também aumentou. Para quem pagava R$ 100, eu estou pagando R$ 200 e pouco. Tá difícil, tá difícil”, conta a manicure Regina Célia dos Santos Pereira. Regina Célia percebeu mudanças na clientela. “Tem cliente que fazia a unha uma vez na semana, agora faz uma vez no mês”. Ela já cortou internet e reduziu as compras, mas ainda tem mês sobrando no salário. “Não tem mais onde cortar, não tem. Tá complicado”.

Fonte: Jornal Nacional


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