Com informações da Folha Sertaneja
Dona Noquinha foi uma das pioneiras de Paulo Afonso. Falar nela sempre remeteu a boas lembranças que as pessoas tem dela e a memórias afetivas de família.
Ela era uma mulher guerreira, que empreendeu na cidade, onde criou seus filhos.
Dona Noquinha teve:
* 5 filhos: Adgenal, Evandro (falecido), Silvana (falecida), Evilásio (falecido) e Sineide.
* 8 netos: Rosana, Rodrigo, Rogério, Paulo, Iana, Aline, Fernanda e Alexandra
* 9 bisnetos Maria Laura, Igor, Davi, Ana Carolina, Maria Valentina, Maria Clara, João Antônio, Ian e Giovana.
INFORMAÇÕES DA FOLHA SERTANEJA
Quem procurasse por D. Noélia Bezerra da Silva teria dificuldade de encontrar. Mas se procurasse por D. Noquinha, muita gente sabia que ela foi uma pioneira no comércio de Paulo Afonso, que chegou a esta região quando ainda se chamava Forquilha e Vila Poty, início dos anos de 1950.
Nascida em Riachuelo, Sergipe, em 6 de setembro de 1923, passou a morar em Paulo Afonso, depois do segundo casamento com Boaventura José da Silva, da Lagoa da Pedra, comerciante de redes, e com ele começou um pequeno negócio, no mesmo lugar onde ainda mora hoje, ao lado da Catedral N. S. de Fátima. Primeiro foi uma pequena bodega onde vendia alguns produtos mas era também bar que recebia, de vez em quando alguns bebuns inconvenientes.
D. Noquinha convenceu o marido a acabar com a bodega e começou a vender bisquís, flores, artigos de artesanato que ela mesma confeccionava como arranjos para noivas, bonecas, artigos para ornamentação e decoração, além peças de linhas para costura e bordado e ficou sendo uma referência comercial no que se refere a comercialização desses produtos.
O Armarinho Popular, de D. Noquinha chegou a ser o fornecedor desses artigos para lojas grandes do comércio de Paulo Afonso, como a Casa das Linhas, o Armarinho Imperial, o Bazar das Novidades, de D. Risalva e seu Raimundo Toledo.
Em 1960, quando a feira livre saiu da Chesf para a Av. Getúlio Vargas, D. Noquinha combinou com o marido para colocarem uma banca na feira. Ficou conhecida como a Banca de D. Noquinha e o casal sentiu a necessidade de expandir o seu negócio fazendo também as feiras de outros municípios da região e também visitar povoados da zona rural. Para isso, precisavam de um transporte e foram juntando um dinheirinho até que Boaventura realizou o sonho de comprar um Jeep que ele tinha visto numa revendedora do Recife.
Com Jeep, colocavam os produtos do armarinho numas caixas e viajavam para Glória, Água Branca e outros municípios da região. Às vezes, conta D. Noquinha, nas viagens para os povoados, quando o pessoal não tinha dinheiro, pagavam os produtos com gêneros alimentícios das roças.
Com o trabalho intenso, o casal foi economizando, comprou uma caminhonete e ainda construiu uma casa para aluguel, ao lado de onde hoje ainda mora D. Noquinha. Um dos seus inquilinos foi Duda Dentista. Depois, venderam a caminhonete para adquirir material para construir a casa onde mora.
Houve um tempo em que a família de D. Noquinha viveu dias de ansiedade e preocupação. Ela adoeceu, teve uma pneumonia e o seu estado de saúde ficou tão delicado que o Dr. Militão, médico diretor do Hospital Nair Alves de Souza, lá pelos anos de 1960, chegou a dizer que D. Noquinha “estava com a vela na mão”. Mas o médico errou no “diagnóstico” porque D. Noquinha, depois de quatro meses hospitalizada, recuperou-se e continuou a sua caminhada até os 102 anos.
Em 1988 enviuvou pela segunda vez e foi mãe e pai dos cinco filhos, todos eles encaminhados na vida: Adigenal, Silvana, Sineide, Evandro e Evilásio. D. Noquinha, rasgava elogios para todos eles.
Ela gostava de lembrar que, para a construção do Ginásio Sete de Setembro, muitos comerciantes, e ela estava entre estes, doavam um valor mensal para essa obra e se sentia orgulhosa de ter participado de algo tão importante.
Ela também gostava de lembrar que acompanhou a construção da Catedral N. S. de Fátima, bem ao lado de sua casa.